Considerações...
Em uma época remota,
conforme consta em O acesso à língua escrita, a escrita não era do
jeito que conhecemos, foram necessários muitos desenhos, riscos, rabiscos para
que, o homem pudesse se comunicar por meio de símbolos.
Será que é possível por um
momento se colocar no lugar das pessoas que viveram em uma época em que a
escrita não era como conhecemos hoje, como se transmitiria por meio de
símbolos, como exemplo, que se ama uma pessoa?
Hoje, é fácil imaginar
símbolos variados, mas naquela época, 3300 a.C., pelo que consta a história da
aquisição da escrita e da leitura, que essa descoberta ocupava bastante o tempo
de uma pessoa que queria se comunicar com outra.
Quando nos deparamos com
pessoas de outros países que falam línguas “estranhas” ao nosso vocabulário da
língua materno ou segunda língua, muitas vezes não nos comunicamos
satisfatoriamente, mesmo que tenhamos que “desenhar” símbolos. Como é que isso pode ser resolvido nos dias
atuais? Acredito que recorramos às línguas que tenhamos mais familiaridade, mas
nem sempre essa comunicação vai ocorrer satisfatoriamente.
Temos um aprendizado anterior da escrita da
nossa língua materna, entendemos que para se comunicar por meio da escrita,
precisamos simbolizar pela representação da junção de traços, retas,
semi-retas, curvas, círculos, que são símbolos mais ou menos geométricos que
constam no nosso alfabeto como conhecemos hoje, mas entendemos que nem todas as
línguas no mundo inteiro são assim, há diferenças gráficas e sonoras,
peculiares a cada uma.
Mas, naquela época, centenas
e milhares de a.C. esse entendimento global, a formação de línguas diversas não
existia, não havia sequer um modelo de escrita, ou seja, na prática
profissional, o psicopedagogo(a) vai se deparar com crianças, adultos com desvios
de aprendizagem que têm dificuldades de apreender a língua materna enquanto
símbolo, e, este profissional é que vai ajudar a desvendar e a construir esse
mundo novo das letras, dos números para seu paciente ou cliente.
Esses desvios de aprendizagem podem ser
pedagógicos, emocionais, neurológicos, a saber, mau desempenho escolar (MDE),
distúrbios de aprendizagem (DA), transtorno de déficit de atenção e
hiperatividade (TDAH), superdotação ou super habilidades, dislexia, sobrecarga
nas atividades impostas pela família à criança, dentre outros. E ainda, adultos
que não puderam aprender a ler a escrever quando eram crianças e precisam de
suporte psicopedagógico para alcançar esse aprendizado.
E quem aprende a “escrever”,
aprende a “ler”. Será mesmo? O caminho para entender esta pergunta está na
unidade II - O ato de ler e a psicopedagogia. Os aluno(a)s de pós-graduação em
psicopedagogia ao ter contato com a teoria, com os estudos de caso e na prática
profissional, verificarão que muitos indivíduos que escrevem, não sabem ler, ou
não sabem significar o texto escrito, ou na prática da leitura não conseguem
dar sentido ao texto lido.
Por que isso acontece? Pois,
o fato do indivíduo escrever e ler significa que o indivíduo é alfabetizado,
aprendeu as técnicas da leitura e da escrita, mas não significa que o indivíduo
seja letrado.
Sendo assim, a Unidade III –
Alfabetização e letramento, trata da importância da alfabetização e do
letramento para a vida pessoal, profissional e acadêmica já que denota a
compreensão em sua amplitude do uso da leitura e da escrita nos mais variados
contextos, inclusive o emprego da leitura e da escrita em situações típicas do
cotidiano que devem permitir uma comunicação fluída e coesa.
Na área da educação formal,
a aquisição da leitura e escrita é essencial para a compreensão de todas as
disciplinas, sendo que, no ano de 2015 o PISA (Programme for International Student
Assessment) – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, avaliou o
letramento do estudante brasileiro como crítico, segundo o PISA 2015, o Brasil
estacionou em relação ao PISA 2012 (o PISA é aplicado de três em três anos[1]
e tem como objetivo verificar o nível educacional de jovens de 15 anos em
provas aplicadas de matemática, leitura e ciências, em referências está informado
o link do último PISA 2015).
Com a finalidade de
aprofundar o conhecimento teórico, permitir a motivação e curiosidade acerca do
proposto, as três unidades desse livro texto têm como objetivos principais
desta disciplina:
·
Entender o processo de aquisição da escrita e
leitura.
·
Aprofundar o entendimento sócio e histórico
da trajetória da aquisição da escrita e da leitura.
·
Dialogar teoria e prática de aquisição da
escrita e da leitura por meio de autores da área da educação e da
psicopedagogia.
·
Conhecer e ampliar o conhecimento da prática
da aquisição da leitura e da escrita na visão educacional por meio de métodos
de alfabetização.
·
Entender a diferença entre alfabetização e
letramento e sua importância para a formação humana na vertente da comunicação.
Desejamos bons estudos e
novos olhares para a aquisição das competências leitoras e escritoras em
consonância com a psicopedagogia!
Julia Weffort
[1] O
PISA 2018 será informado no site do INEP, segundo cronograma, no segundo
semestre de 2019. (Site disponibilizado em referências).
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