AS HIPÓTESES QUE AS CRIANÇAS TÊM SOBRE A ESCRITA
No processo de construção da
escrita a espontaneidade é o objeto para se entender como uma criança concebe a
escrita e, vai ao encontro do que a criança percebe sobre o objeto do
conhecimento e não sobre ao que é socialmente aceito.
Como exemplo, as garatujas, são
os primeiros rabiscos que as crianças fazem na tentativa de representar o que
percebe a sua volta, têm significado social para a criança, que é diferente do
estabelecido, convencional e sistematizado. (Ferreiro e Teberosky, 1999/2006).

Garatujas
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjPouCKl6zRAhUGFJAKHfhsBicQjRwIBw&url=http%3A%2F%2Feducarnocliquedomouse.blogspot.com%2F2012%2F02%2Fdesenho-infantil-um-simples-rabisco.html&psig=AFQjCNE4SA9hOO5peDJbYxPlx5ziffacJA&ust=1483746094590933
As autoras em suas pesquisas
sobre as hipóteses de que as crianças têm sobre a escrita, privilegiam os
pressupostos sócio, construtivista e interacionista de Piaget e Vygotsky.
Dois aspectos podem ser considerados
em relação à escrita espontânea da criança: o aspecto gráfico (qualidade do
traço, distribuição espacial, orientação do traçado) e o aspecto construtivo
(aquilo que a criança quis representar e os meios que utilizou para isso).
Afirmam Ferreiro e Teberosky
(1999/2006) que, do ponto de vista construtivo, a escrita da criança se
desenvolve com regularidade surpreendente e que essa regularidade se relaciona
aos meios culturais (escrita icônica ou não-icônica) aos quais a criança tem
acesso, às situações educativas que vivencia e à língua em uso (fonetização da
escrita, ou seja, se inicia pelo período silábico e chega ao alfabético).
Assim, desenhos correspondem ao
domínio do icônico na escrita da criança, enquanto escrever encontra-se fora do
domínio icônico. Isso porque grafar a escrita representativa de um objeto não é
a mesma coisa que desenhar o objeto.
Levando em consideração que as
crianças aprendem em ritmos diferentes, o que é preocupação da maioria dos
professores na dinâmica ensino-aprendizagem referente a alfabetização, Emília
Ferreiro e Ana Teberosky (1999/2006), por meio de pesquisas chegaram à
conclusão de que há níveis estruturais da linguagem escrita divididos em:
Nível 1 - Garatujas: (fase icônica) os riscos e
rabiscos significam para a criança a função da escrita. Nesta fase a criança
não diferencia o desenho da escrita.
Nível 2 - Pré-silábico:
Início do reconhecimento da função da escrita. A criança não quantifica as
letras. Letras aleatórias e números são utilizados sem uma ordem estabelecida
convencionalmente. As letras do próprio nome são valorizadas na sua produção.
Nível 3 - Silábico: não
associa ainda a sonoridade da escrita, no entanto, já reconhece a função da
escrita. Letras diferentes são utilizadas para a sua produção, por exemplo,
para a palavra bebê, a criança reconhece 2 sílabas, mas a sua escrita
pode apresentar para esta palavra: lc.
Nível 4 - Silábico-Alfabético:
Neste período surgem expectativas na criança que são geradas no período
anterior, que têm a função de desestabilizar a criança e impulsioná-la,
encorajá-la a construir a escrita a partir de mais elementos. A criança descobre
que o todo considerado por ela (a sílaba) é diferente das partes (letras), ora
ela escreve atribuindo uma letra para cada sílaba, ora escreve a sílaba
composta por duas ou mais letras.
Nível 5 - Alfabético: Compreende
o valor das letras e sílabas. O valor sonoro da palavra é reconhecido. As
convenções ortográficas ainda não estão estabelecidas.
Assista ao vídeo de
entrevista com a educadora Emília Ferreiro
Nova Escola | Emilia Ferreiro | Leitura e escrita na Educação
Infantil


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Silábico-alfabético
http://revistaguiafundamental.uol.com.br/professores-atividades/94/imprime252538.asp
http://revistaguiafundamental.uol.com.br/professores-atividades/94/imprime252538.asp
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“Emilia Ferreiro nasceu na
Argentina em 1936. Doutorou-se na Universidade de Genebra, sob orientação do
biólogo Jean Piaget, cujo trabalho de epistemologia genética (uma teoria do
conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança) ela continuou
estudando um campo que o mestre não havia explorado: a escrita. A partir de
1974, Emilia desenvolveu na Universidade de Buenos Aires uma série de
experimentos com crianças que deu origem às conclusões apresentadas em
Psicogênese da Língua Escrita, assinado em parceria com a pedagoga espanhola
Ana Teberosky e publicado em 1979. Emilia é hoje professora titular do Centro
de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, da
Cidade do México, onde mora. Além da atividade de professora – que exerce
também viajando pelo mundo, incluindo freqüentes visitas ao Brasil –, a
psicolingüista está à frente do site www.chicosyescritores.org,
em que estudantes escrevem em parceria com autores consagrados e publicam os
próprios textos.”
Emília Ferreiro
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/emilia-ferreiro-306969.shtml
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/emilia-ferreiro-306969.shtml
O PRÓPRIO NOME
O nome constitui uma
palavra-texto, com grau de significação ímpar, pois ele contém toda a história
da criança, é a primeira referência de função social que a criança tem da
escrita.
Ana Teberosky no livro “Psicopedagogia
da Linguagem Escrita” ressaltam: "A escrita do nome próprio parece
ser uma peça-chave para o início da compreensão da forma de funcionamento do
sistema de escrita".
Há de se considerar que o próprio
nome além de ter função social, representa para a criança sua identidade, além
de social, afetiva. Portanto, é pouco provável que alguma criança, ao se
apoderar do processo da escrita, não expresse forte desejo de colocá-lo em todo
espaço possível. Partindo dessa concepção, o não atendimento desse desejo
implica em lançar fora um recurso valioso no envolvimento da criança com o
código da língua escrita.
Vídeos correlatos
Silábica para silábica-alfabética
A introdução da criança na cultura da escrita
http://www.youtube.com/watch?v=0YY7D5p97w4
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