4.6
A CONTRIBUIÇÃO DE PAULO FREIRE NA DIALOGICIDADE DA EDUCAÇÃO: POR UMA PRÁTICA
CRÍTICA.
Dialogicidade na educação ou aprendizagem
dialógica fazem parte do pensamento de Paulo Freire acerca de sua busca pelo
diálogo entre a teoria e a prática que concebem os saberes e para, este autor,
este diálogo é o que propicia a liberdade para o indivíduo compreender as
coisas do mundo.
Este diálogo requer duas ou mais pessoas
refletindo sobre as coisas do mundo e, para tanto, segundo Freire, para que o
diálogo ocorra: “e não existe diálogo se não houver um profundo amor ao mundo e
aos homens (FREIRE, 2003, p.79).
Freire posiciona-se frente à alfabetização da
mesma maneira como pensa sobre o diálogo e a liberdade que dele provém, não
adianta o indivíduo aprender formar frases se não aprender formar frases que
tenham sentido sobre as coisas do mundo que o rodeia.
Para a concepção
crítica, o analfabetismo nem é uma “chaga”, nem uma “erva daninha” a ser
erradicada, nem tampouco uma enfermidade, mas uma das expressões concretas de
uma realidade injusta. Não é um problema estritamente linguístico nem
exclusivamente pedagógico, metodológico, mas político, como a alfabetização por
meio da qual se pretende superá-lo. Proclamar sua neutralidade, ingênua ou
astutamente, não afeta em nada a sua politicidade intrínseca (FREIRE, 2011, p.
19).
Esse viés crítico que o sujeito aluno e o
sujeito educador devem revelar frente ao conhecimento, ultrapassa o saber
estereotipado que perpetua a alienação do ser frente ao aprendizado.
A crítica à alfabetização, para este autor,
deve-se a repetição mecânica de sílabas e letras, já que a sua visão de
educação não tem lugar para palavras que não sejam significativas, que
reproduzem saberes estigmatizados sem reflexão.
Freire (1980) parece se antecipar ao futuro
quando propôs teorias revolucionárias que permitem transitar saberes neste
mundo globalizado. Discussões problematizadoras são um dos fenômenos da
globalização e requer sujeitos envolvidos na busca de tornar consciente a práxis
que se apresenta.
Para tanto, os temas geradores no ambiente
escolar, são para Freire, o ponto de partida para reflexão, discussão e a
solução prática de fenômenos que requerem ação a favor da releitura do mundo, e
para Freire, é preciso saber ler o mundo: “A leitura do mundo precede a leitura
da palavra” (Freire, 1989).
Freire insiste nesta perspectiva crítica, que
permite desenvolver nos educandos e no educador, um pensar sobre a realidade,
sendo assim, a prática educativa deve refletir a teoria aprendida.
Transitar pelas teorias de Freire e suas
palavrasmundo, não dependem de dicionários para serem entendidas, e essas
palavras geradoras de sentidos presentes em seu texto sócio, histórico e
cultural se fazem entender pelo sujeito aprendiz e este, para Freire, somos
todos nós. No viés da educação dialógica, Freire se importa com a equidade e
buscou na sua prática defender a educação inclusiva, uma educação para todos.
Bibliografia
FREIRE, Paulo. Ensinar, aprender: leitura do
mundo, leitura da palavra. Carta de Paulo Freire aos professores. Estud. av.
vol.15 no.42.
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142001000200013&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>.
Acesso em 11 de maio de 2014. São Paulo May/Aug. 2001
____________. Ação cultural para a liberdade
e outros escritos. 14ª Edição. São Paulo: Paz e Terra. 2011.
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