terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

AS HIPÓTESES QUE AS CRIANÇAS TÊM SOBRE A ESCRITA (releitura)


1.7 AS HIPÓTESES QUE AS CRIANÇAS TÊM SOBRE A ESCRITA

No processo de construção da escrita a espontaneidade é o objeto para se entender como uma criança concebe a escrita e, vai ao encontro do que a criança percebe sobre o objeto do conhecimento e não sobre ao que é socialmente aceito.

Como exemplo, as garatujas, são os primeiros rabiscos que as crianças fazem na tentativa de representar o que percebe a sua volta, têm significado social para a criança, que é diferente do estabelecido, convencional e sistematizado. (Ferreiro e Teberosky, 1999/2006).


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Garatujas

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As autoras em suas pesquisas sobre as hipóteses de que as crianças têm sobre a escrita, privilegiam os pressupostos sócio, construtivista e interacionista de Piaget e Vygotsky.

Dois aspectos podem ser considerados em relação à escrita espontânea da criança: o aspecto gráfico (qualidade do traço, distribuição espacial, orientação do traçado) e o aspecto construtivo (aquilo que a criança quis representar e os meios que utilizou para isso).

Afirmam Ferreiro e Teberosky (1999/2006) que, do ponto de vista construtivo, a escrita da criança se desenvolve com regularidade surpreendente e que essa regularidade se relaciona aos meios culturais (escrita icônica ou não-icônica) aos quais a criança tem acesso, às situações educativas que vivencia e à língua em uso (fonetização da escrita, ou seja, se inicia pelo período silábico e chega ao alfabético).

Assim, desenhos correspondem ao domínio do icônico na escrita da criança, enquanto escrever encontra-se fora do domínio icônico. Isso porque grafar a escrita representativa de um objeto não é a mesma coisa que desenhar o objeto.

Levando em consideração que as crianças aprendem em ritmos diferentes, o que é preocupação da maioria dos professores na dinâmica ensino-aprendizagem referente a alfabetização, Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1999/2006), por meio de pesquisas chegaram à conclusão de que há níveis estruturais da linguagem escrita divididos em:

Nível 1 - Garatujas: (fase icônica) os riscos e rabiscos significam para a criança a função da escrita. Nesta fase a criança não diferencia o desenho da escrita.

Nível 2 - Pré-silábico:  Início do reconhecimento da função da escrita. A criança não quantifica as letras. Letras aleatórias e números são utilizados sem uma ordem estabelecida convencionalmente. As letras do próprio nome são valorizadas na sua produção.

Nível 3 - Silábico: não associa ainda a sonoridade da escrita, no entanto, já reconhece a função da escrita. Letras diferentes são utilizadas para a sua produção, por exemplo, para a palavra bebê, a criança reconhece 2 sílabas, mas a sua escrita pode apresentar para esta palavra: lc.

Nível 4 - Silábico-Alfabético: Neste período surgem expectativas na criança que são geradas no período anterior, que têm a função de desestabilizar a criança e impulsioná-la, encorajá-la a construir a escrita a partir de mais elementos. A criança descobre que o todo considerado por ela (a sílaba) é diferente das partes (letras), ora ela escreve atribuindo uma letra para cada sílaba, ora escreve a sílaba composta por duas ou mais letras.

Nível 5 - Alfabético: Compreende o valor das letras e sílabas. O valor sonoro da palavra é reconhecido. As convenções ortográficas ainda não estão estabelecidas.


Assista ao vídeo de entrevista com a educadora Emília Ferreiro

Nova Escola | Emilia Ferreiro | Leitura e escrita na Educação Infantil
















http://revistaguiafundamental.uol.com.br/professores-atividades/94/imagens/i323462.jpg



Crédito: caixinhamagicadeideias.blogspot.com/






        
Crédito: caixinhamagicadeideias.blogspot.com/




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“Emilia Ferreiro nasceu na Argentina em 1936. Doutorou-se na Universidade de Genebra, sob orientação do biólogo Jean Piaget, cujo trabalho de epistemologia genética (uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança) ela continuou estudando um campo que o mestre não havia explorado: a escrita. A partir de 1974, Emilia desenvolveu na Universidade de Buenos Aires uma série de experimentos com crianças que deu origem às conclusões apresentadas em Psicogênese da Língua Escrita, assinado em parceria com a pedagoga espanhola Ana Teberosky e publicado em 1979. Emilia é hoje professora titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, da Cidade do México, onde mora. Além da atividade de professora – que exerce também viajando pelo mundo, incluindo freqüentes visitas ao Brasil –, a psicolingüista está à frente do site www.chicosyescritores.org, em que estudantes escrevem em parceria com autores consagrados e publicam os próprios textos.”
Emília Ferreiro
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/emilia-ferreiro-306969.shtml


1.8 O PRÓPRIO NOME

O nome constitui uma palavra-texto, com grau de significação ímpar, pois ele contém toda a história da criança, é a primeira referência de função social que a criança tem da escrita.

Ana Teberosky no livro “Psicopedagogia da Linguagem Escrita” ressaltam: "A escrita do nome próprio parece ser uma peça-chave para o início da compreensão da forma de funcionamento do sistema de escrita".

Há de se considerar que o próprio nome além de ter função social, representa para a criança sua identidade, além de social, afetiva. Portanto, é pouco provável que alguma criança, ao se apoderar do processo da escrita, não expresse forte desejo de colocá-lo em todo espaço possível. Partindo dessa concepção, o não atendimento desse desejo implica em lançar fora um recurso valioso no envolvimento da criança com o código da língua escrita.



Vídeos correlatos


Silábica para silábica-alfabética

A introdução da criança na cultura da escrita
http://www.youtube.com/watch?v=0YY7D5p97w4


 Livro Emília Ferreiro - Ana Teberosky (A Psicogênese da língua escrita).

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