terça-feira, 19 de fevereiro de 2019


2.1 O ATO DE LER E A PSICOPEDAGOGIA


"A psicopedagogia estuda a aprendizagem normal e patológica tanto com um sentido preventivo como terapêutico. A aprendizagem abre o caminho da vida, do mundo, das possibilidades, até de ser feliz."  Jorge Visca


A PSICOPEDAGOGIA, SEU OBJETO DE ESTUDO E O ALUNO LEITOR

No fazer psicopedagógico, a significação do ato de ler é intrínseca à aquisição da leitura, pois na prática profissional do psicopedagogo, os desvios de aprendizagem de origem patológica ou de defasagem educacional dos alunos a ser verificados, requerem entender como este aluno aprende, para tanto a Psicopedagogia tem em seu objeto de estudo a base para direcionar o aluno para desenvolver suas competências e habilidades.

Entender como o aluno aprende no olhar psicopedagógico suscita que cada indivíduo é singular na sua aprendizagem, assim sendo, no processo de ensino-aprendizagem que este profissional participa, é preciso significar a prática e o entendimento da leitura para o aluno, e isto não é sinônimo de ler em voz alta, repetir palavras ou soletrá-las, mas sim, inserir este aluno no universo das imagens sonoras devidamente contextualizadas no seu contexto sócio, histórico e cultural.










Para conhecimento teórico e reflexão:

Conforme citado mais acima, a Psicopedagogia tem seu objeto de estudo e abaixo estão alguns excertos de teóricos da Psicopedagogia para reflexão e estudo:

Nádia Bossa:.
http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/i101333.pdf
Para o Psicopedagogo, aprender é um processo que implica pôr em ações diferentes sistemas que intervêm em todo o sujeito: a rede de relações e códigos culturais e de linguagem que, desde antes do nascimento, têm lugar em cada ser humano à medida que ele se incorpora a sociedade.”(BOSSA,1994,pág 51)

Sônia Kiguel:
o objeto central de estudo da Psicopedagogia está se estruturando em torno do processo de aprendizagem humana: seus padrões evolutivos normais e patológicos, bem como a influência do meio (família, escola e sociedade) no seu desenvolvimento. (2000, p.8)

http://www.webartigos.com/artigos/fundamentos-epistemologicos-da-psicopedagogia/109097/


Maria Lúcia Weiss:
a Psicopedagogia busca a melhoria das relações com a aprendizagem, assim como a melhor qualidade na construção da própria aprendizagem de alunos e educadores”. 



Bossa, Kiguel e Weiss explicam como a Psicopedagogia se relaciona com o processo de ensino-aprendizagem frente ao seu objeto de pesquisa, o que complementa e dimensiona as vertentes subjetivas e relacionais que norteiam o trabalho deste profissional.




Lembrete:  “A vida é um constante ato de aprendizagem”   Jean Piaget


2.2 APRENDIZAGENS LEITORAS E CULTURAIS

O aprendizado da leitura vem antes do aprendizado em sala de aula, pois o sujeito está inserido em um contexto cultural desde a sua formação como indivíduo e pressupõe-se que a leitura faça parte do contexto ao qual está inserido, assim sendo, é preciso considerar as aprendizagens miméticas (mimese) que acontecem desde o seu desenvolvimento.

Christoph Wulf, um teórico da comunicação social explica a mimese na espécie humana:

Aristóteles já considerava que a aptidão para a aprendizagem cultural e o prazer de a isso se dedicar constituíam um dom próprio da espécie humana. Essas aptidões miméticas permitem à criança, na primeira infância, participar da produção e dos processos culturais da sociedade. Na primeira infância, a criança assimila as produções materiais e simbólicas de sua comunidade cultural, as quais, conservadas dessa maneira, são transmitidas à geração seguinte. Em ampla medida, a aprendizagem cultural é aprendizagem mimética, essencial em inúmeros processos de formação e de autoformação.



De acordo com Wulf, a aprendizagem cultural depende da mimese, do que já existe para ser imitado, copiado e naturalmente repassado de geração a geração. Os balbucios, a fala, o diálogo e a conversação são imagens sonoras que a criança tem contato desde o ventre materno, há de se considerar a importância delas para a aquisição da leitura, ler é um ato que demanda decodificação da escrita por meio da visão, da fala, do ouvido, do sentido tátil dos dedos (no caso de crianças com deficiência no aparelho fonador e que necessitam conhecer outras linguagens, como libras). Ou seja, a aprendizagem mimética é um ato saudável que assegura a interação cultural da criança com o meio que a circunda.


Explicação complementar:


Mimese ou mimésis (em grego: hμίμησις, mimesis), é um termo crítico e filosófico que abarca uma variedade de significados, incluindo a imitação, representação, mímica, imitatio, a receptividade, o ato de se assemelhar, o ato de expressão e a apresentação do eu. Figura de retórica que se baseia no emprego do discurso direto e essencialmente na imitação do gesto, voz e palavras de outrem. Imitação verossímil da natureza que constitui, segundo a estética aristotélica e clássica, o fundamento de toda a arte.
O termo surgiu com Platão que tentou definir o vocábulo em seus diálogos, em "a mais completa discussão acerca da natureza da arte que recebemos do mundo antigo" porém não consegue um sentido fixo para a palavra. Aristóteles em “ A Arte Poética” irá tratar como temática principal de sua obra, e atribui a mimese dois significados: o da imitação e o da emulação.

acesso em 02/01/2017


No processo de aprendizagem da aquisição da leitura é preciso o olhar atento do psicopedagogo para qual sentido o aluno atribui ao texto pronto, não apenas na interpretação do texto, mas também como o aluno insere este texto no seu contexto próprio, como o aluno significa este texto.

A diferença entre “aprender” (adquirir conhecimento) ou “apreender” (assimilar mentalmente, compreender) a aprendizagem configura-se em muitos desvios de aprendizagens que poderiam ser evitados caso o olhar e fazer atento do profissional da educação fosse permeado pela sua formação e estudos acerca de importantes teóricos da educação, tais como Paulo Freire, Piaget, Emília Ferreiro, Vygotsky, Bakthin, dentre outros.

Para Jean Piaget (1896 – 1980), Psicólogo e Filósofo suíço, o processo de aquisição da aprendizagem passa por esquemas distintos que são nomeados de equilibração, assimilação e acomodação.

A equilibração é um mecanismo que está entre a assimilação e a acomodação, ou seja, seria um ponto de equilíbrio entre ambas que assegura que a criança possa interagir de forma eficiente com o meio ambiente. A equilibração propicia o conhecimento do aprendizado por meio de tentativas. Portanto, as tentativas são necessárias e o profissional da educação ou o psicopedagogo deve respeitá-la de acordo com o ritmo e aprendizagem do indivíduo, já que é muito comum que aconteçam erros e acertos enquanto a equilibração aconteça em busca de uma adaptação.

A equilibração garante que o indivíduo ao se defrontar com uma nova situação busque uma “adaptação”, que de certa maneira enfatiza aspectos de sobrevivência, física, mental ou emocional, como por exemplo, de sobrevivência física, o homem das cavernas teve que aprender a se alimentar, não apenas de carne, mas também de frutos comestíveis. É muito provável que alguns frutos comestíveis não fossem apropriados para consumo, ou seja, foi preciso consumir os frutos para “equilibrar” o que o deveria ou não ser consumido. A palavra chave para equilibração na teoria de Piaget é adaptação.

Resultado de imagem para esquema assimilação acomodação equilibração

http://psicologiad43.blogspot.com.br/2012/05/assimilacao-acomodacao-e-equilibracao.html

Conforme a imagem acima, a equilibração conforme já citado está entre a assimilação e a acomodação e a interação e adaptação fazem parte deste processo de construção da aquisição da aprendizagem.

Para Piaget, o indivíduo aprende a partir do momento que interage com seu meio. Mas será apenas a interação que garante que o ser humano aprenda? Não, de acordo com este teórico, a interação é o ponto de partida para que a aprendizagem aconteça e entre a interação com o meio e a aprendizagem efetiva, há a construção (assimilação, equilibração, acomodação) propriamente dita desta aprendizagem com o intuito de efetivá-la.

(...) o conhecimento não pode ser concebido como algo pré-determinado nem nas estruturas internas do sujeito, porquanto estas estruturas resultam de uma construção efetiva e contínua, nem nas características preexistentes do objeto, uma vez que elas só são conhecidas graças à mediação necessária dessas estruturas, e que estas ao enquadrá-las, enriquecem-nas (quando mais não seja para situá-las no conjunto dos possíveis). (Piaget, 1990, p.1)

A assimilação acontece quando o indivíduo interage com um novo conhecimento (leia aqui conhecimento como o contato com uma ideia, um objeto, um elemento da natureza, uma paisagem, ou seja, tudo aquilo em que o indivíduo entra em contato pela primeira vez) e a partir desta experiência, que é uma nova descoberta, pode haver ou não a acomodação. Assimilar um novo conhecimento não significa que o indivíduo aprendeu, para efetivar a aprendizagem é necessário acomodar o conhecimento.

Na visão dialética de Lev Semyonovitch Vygotsky (1896-1934), a aprendizagem não acontece da mesma maneira para todos, pois o aprendizado parte do social para o individual, devidamente mediado por pessoas com mais experiência (os pais, os professores) que são denominadas de mediadores por este autor.

Piaget e Vygotsky em suas teorias, concordam que o conhecimento não é inato e empirista, para estes autores é necessário que aconteça a interação mediada com o meio para que a aprendizagem aconteça

Alguns alunos perguntam acerca da importância da mediação como determinante para a aprendizagem! Sim, desde que o indivíduo tenha ação e motivação para avançar na aprendizagem.


Observação:

A aquisição da competência leitora acontece, conforme estudamos, por meio da interação da criança, do indivíduo com a sua cultura, seu meio e a mediação (pessoas mais experientes ou suportes mediáticos) é fator preponderante para que a aprendizagem aconteça.



E enfim, para que a acomodação aconteça é necessário, de acordo com Piaget, que o indivíduo possa reconstituir o aprendizado na sua plenitude.

De acordo com Paulo Freire (1921 – 1997), a leitura é mediadora de sentidos entre o sujeito e o mundo que o cerca, assim sendo, como o aluno significa o texto no seu contexto próprio, leia-se aqui, cultural, vai além da interpretação mecânica que algumas vezes desmotiva o aluno leitor na prática da leitura.

No imaginário do aluno permeia a ideia de que há uma interpretação correta, o que o afasta de adentrar no texto, destrinchá-lo e inseri-lo no seu próprio universo cultural.

Assim, como um país, um estado, uma cidade, um bairro, um vilarejo tem culturas próprias, a família deste aluno tem também uma cultura singular que o diferencia de outras famílias. E o ato de ler é também um ato cultural que perpetua a historicidade pessoal.

Respeitar a leitura do aluno acerca do que ele sente e visualiza no texto é um caminho para que o psicopedagogo ajude este aluno a ser um leitor competente, pois de acordo com Paulo Freire, entender um texto escrito está intrínseca a materialidade do contexto sócio, histórico e cultural, já que este autor afirma que “a leitura do mundo antecede a leitura da palavra”.

2.3 A importância do ato de ler: as palavras mundo e articulações teóricas

No ano de 1981, Paulo Freire na abertura do Congresso Brasileiro de Leitura, em Campinas, disserta sobre a leitura do mundo como propulsora do pensamento crítico, ou seja, retoma a questão de que somos cidadãos críticos e devemos atuar em consonância com o mundo a nossa volta, e é por meio da leitura, que Freire (2009, p.11) afirma que esse processo envolve “uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo”.

Falamos em textos prontos, com significados, histórias e gêneros próprios, mas e as palavras? As palavrasmundo, para Paulo Freire, seriam, mesmo isoladas da frase, mediadores de sentido sócio, histórico e culturais, e antecedem a compreensão da escrita, ou seja, da alfabetização propriamente dita.

O termo palavramundo significa que a palavra já faz parte do mundo, e o autor vai além quando afirma que por meio de uma palavra proporciona-se a leitura do mundo.






A importância do ato de ler: em três artigos que se completam
Paulo Freire

“[...] Creio desnecessário me alongar mais, aqui e agora, sobre o que tenho desenvolvido, em diferentes momentos, a propósito da complexidade deste processo. A um ponto, porém, referido várias vezes neste texto, gostaria de voltar, pela significação que tem para a compreensão critica do ato de ler e, conseqüentemente, para a proposta de alfabetização a que me consagrei. Refiro-me a que a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele. Na proposta a que me referi acima, este movimento do mundo à palavra e da palavra ao mundo está sempre presente. Movimento em que a palavra dita flui do mundo mesmo através da leitura que dele fazemos. De alguma maneira, porém, podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo mas por uma certa forma de “escrevê-lo” ou de “reescrevê-lo”, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente.
Este movimento dinâmico é um dos aspectos centrais, para mim, do processo de alfabetização. Daí que sempre tenha insistido em que as palavras com que organizar o programa da alfabetização deveriam vir do universo vocabular dos grupos populares, expressando a sua real linguagem, os seus anseios, as suas inquietações, as suas reivindicações, os seus sonhos. Deveriam vir carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador. A pesquisa do que chamava universo vocabular nos dava assim as palavras do Povo, grávidas de mundo. Elas nos vinham através da leitura do mundo que os grupos populares faziam. Depois, voltavam a eles, inseridas no que chamava e chamo de codificações, que são representações da realidade.A palavra tijolo, por exemplo, se inseriria numa representação pictórica, a de um grupo de pedreiros, por exemplo, construindo uma casa. Mas, antes da devolução, em forma escrita, da palavra oral dos grupos populares, a eles, para o processo de sua apreensão e não de sua memorização mecânica, costumávamos desafiar os alfabetizandos com um conjunto de situações codificadas de cuja decodificação ou “leitura” resultava a percepção critica do que é cultura, pela compreensão da prática ou do trabalho humano, transformador do mundo. No fundo, esse conjunto de representações de situações concretas possibilitava aos grupos populares uma "leitura" da "leitura” anterior do mundo, antes da leitura palavra.” . (Página 13).



De acordo Mikhail Bakhtin:
As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais em todos os domínios. É portanto claro que a palavra será sempre o indicador mais sensível de todas as transformações sociais. Mesmo daquelas que apenas despontam que ainda não tomaram forma, que ainda não abriram caminho para sistemas ideológicos estruturados e bem formados.  (Bakhtin, 2002, p.41)


No viés ideológico, o ato de ler abarca duas vertentes importantes: a alfabetização e sua competência leitora e a própria leitura do mundo a que se refere Paulo Freire. Ler o mundo é sinônimo de significar as realidades sóciais, históricas e culturais que deflagram mudanças sociais importantes. Por meio da leitura, que perfaz o entendimento do mundo, pode-se criar, recriar, fazer-se presente e autor da própria vida e da historicidade cultural.

Autores da educação como Almeida (2010), concordam que a leitura promove o cidadão a ser cidadão participativo da vida em sociedade, o que possibilita que este cidadão possa ser transformador das realidades já existentes. O conceito de significados dos códigos linguísticos é importante para este autor na medida em que esses significados estão interligados. A leitura então ocorre por meio de um processo cognitivo e um processo interativo.

No processo interativo, a leitura ocorre na interação entre o leitor, o texto e o autor, onde a atividade de compreensão, decodificação e interpretação estão presentes como elementos semânticos e episódicos do texto.

Portanto, é por este meio que os sentidos do texto são construídos pelo leitor e articulados a outros significados

Solé (1998.2007, p.22) afirma acerca do ato de ler que a interação com o texto propicia a procura de significados a partir de objetivos que guiam a leitura. E complementa: “o leitor constrói o significado do texto” (idem, p.22).

Percebemos então que o aprendizado do texto não ocorre de modo linear e contínuo (recomenda-se a releitura acerca os esquemas de Piaget: equilibração, acomodação e assimilação no item 1.2 APRENDIZAGENS LEITORAS E CULTURAIS) assim como afirma Bortoli (2002, p.45): 

o ensino inicial da leitura deve garantir a interação significativa e funcional da criança com a língua escrita, como meio de construir os conhecimentos necessários para poder abordar as diferentes etapas da sua aprendizagem.” (2002, p. 45)

Lemos (2002, p. 147) ao parafrasear Bakhtin ressalta a importância de valorizar uma obra como fenômeno social, pois contexualiza o histórico, sociológico, psicológico e estético, se assim for, não será possível o processo de esvaziamento do seu conteúdo.

Franchi (1988-2006, p.195), ao tratar do processo de alfabetização de jovens e adultos observa que a alfabetização deve ocorrer a partir do próprio texto, adequando-o para o ensino da leitura para estes aprendizes no sentido de propiciar o ato de ler a partir de contextualizações e significados detentores de sentido. De acordo com este autor, é preciso motivar a ‘leitura com significado quando se aprende a ler’, e deixar de enfatizar a ‘leitura para aprender a ler’.



“A importância do ato de Ler” de Paulo Freire.
Este livro este disponível para download no Google:




Janeiro 2017:

BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Anablume Editora, 2002.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins fontes, 2000.
BOSSA, Nadia A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. RS, Artmed, 1994. Porto Alegre, Artes Médicas.
BOSSA, Nadia A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. RS, Artmed, 2000. 2ª edição. Porto Alegre, Artes Médicas.
KIGUEL, Sônia M. Normalidade X patologia no processo de aprendizagem: abordagem psicopedagógica. Psicopedagogia ABPp, 1991, Vol. 10.

WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.


Links da internet

Mimese:
Aprendizagem cultural e mimese: jogos, rituais e gestos CHRISTOPH WULF Freie Universität Berlin, Berlim, Alemanha Tradução e revisão técnica de Carlos Eduardo Galvão Braga e Maria da Conceição Passeggi
http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v21n66/1413-2478-rbedu-21-66-0553.pdf


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